#MariellePresente: A Joint Statement of Solidarity

Como coletivo comprometido com focalizar a negritude e como um povo com consciência global, convidamos a prestar solidariedade ao Movimento Negro e ao povo brasileiro após os assassinatos da vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco e seu motorista, Anderson Pedro Gomes, na noite do dia 14 de março deste ano. A vereadora Marielle Franco estava saindo de um evento de empoderamento das mulheres negras quando um carro se aproximou e um atirador disparou treze tiros, assassinando ela e seu motorista. As mídias locais mostram que as munições usadas para matar Marielle e Anderson foram compradas em 2006 pela Polícia Federal.

A vereadora Marielle Franco era uma ativista política radical, negra e bissexual, voz do povo das favelas do Rio de Janeiro. Ela era mãe, membro do Partido de Socialismo e Liberdade (PSOL), defensora dos direitos da mulher, militante da igualdade LGBT, e bem conhecida por seu trabalho social nas favelas. Durante anos, ela denunciou abertamente a brutalidade policial recorrente contra as populações mais marginalizadas da cidade. Nascida e criada no complexo das favelas da Maré, as perspectivas progressistas da Marielle levaram-na a conquistar o cargo de vereadora em 2016. Ela era a única mulher negra em uma Câmara de 51 representantes.

Dias antes do seu assassinato, a vereadora Marielle Franco foi nomeada relatora da comissão responsável por acompanhar a intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro recentemente decretada pelo presidente Michel Temer. A intervenção militar era uma tentativa para conter a onda de violência. Em vez disso, o resultado tem sido a aterrorização dos mais marginalizados da cidade através de táticas que incluem a invasão de casas nas favelas. Um dos últimos posts da vereadora Franco em mídia social denunciou a morte de um negro jovem, Matheus Melo, que foi baleado durante uma agressão policial nas favelas.

Nós entendemos estes assassinatos como parte de um fenômeno global de anti-negritude, que se manifesta através de violência cotidiana contra o povo Negro, a supressão de vozes políticas Negras, o deslocamento de terras Negras, a exploração do trabalho Negro, o apagamento de culturas e histórias Negras, e a violência sexual e de gênero contra as mulheres Negras, queers e pessoas trans. Tais atrocidades nunca nos calarão ou impedirão nossa luta pela libertação Negra.

Escrevemos em solidariedade com as dezenas de milhares de pessoas que foram às ruas em luto e luta em mais de 20 cidades no Brasil, e também com inúmeros indivíduos e organizações Negros, queer, e feministas que continuam se comprometendo com a vida e libertação Negra. Agora, mais que nunca, este coletivo se compromete a ser um veículo de estímulo à reflexão crítica sobre os assuntos, os processos, as qualidades intrínsecas, e as interconexões que moldam as vidas e geografias Negras em escalas locais, nacionais, continentais, e internacionais. Os legados do colonialismo e o imperialismo tem contribuído para a exploração de afrodescendentes e para as propriedades estruturais e sociais do racismo anti-Negro no Brasil. Devemos, portanto, nos dedicar a lutar contra e criar alternativas a essas heranças destrutivas.

Em solidariedade,

As Comissões Especiais de Geografias Negras, Perspectivas Geográficas sobre Mulheres (GPOW), América Latina, Geografias Latinx e Espaço e Sexualidade da Associação Americana de Geógrafos

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As a collective committed to centering Blackness and as global people of conscience, we call for solidarity with the Black Movement and the people of Brazil following the assassinations of Rio de Janeiro City Councilwoman, Marielle Franco, and her driver, Anderson Pedro Gomes, on the night of March 14, 2018. Councilwoman Franco was driving back from a Black women’s empowerment event when a car drove up alongside hers, and shot into her car thirteen times, killing her and her driver. Local reporting shows that the ammunition used to kill Councilwoman Franco and Mr. Gomes was linked to the Federal Police.

Councilwoman Franco was a radical Black lesbian activist-politician who was a voice of the poor of Rio de Janeiro’s favelas. She was a mother, a member of the leftist Socialism and Liberty Party (PSOL), a women’s rights activist, a LGBT equality campaigner, and was known for her social work in the favelas. For years, she openly denounced the police brutality that was all too common against the city’s most marginalized populations. A product of the favela complex of Maré, Councilwoman Franco’s progressive views won her the vote as a city councilwoman in 2016. She was the only Black female representative on a City Council of 51 members.

Several days before her assassination, Councilwoman Franco was appointed as the rapporteur of a commission responsible for inspecting the recent military intervention decreed by president Michel Temer. The federal military intervention was a measure meant to curb rising violence. Instead it has resulted in the terrorization of the city’s poor via tactics that include the invasion of homes in the favelas. One of Councilwoman Franco’s last posts on social media suggested that the death of a young Black man, Matheus Melo, was the result of overly aggressive policing in these favela raids.

We understand these slayings to be a part of a global phenomenon of anti-Blackness, manifested through routine violence against Black peoples, suppression of Black political voices,  displacement from Black lands, exploitation of Black labor, erasure of Black cultures and histories, and gender and sexual violence against Black women, queer and transgender people. Such atrocities will never silence us or stop our fight for Black liberation. 

We write in solidarity with the tens of thousands who took to the streets in mourning and protest across more than 20 cities in Brazil, as well as the countless other Black, queer, and feminist individuals and organizations that continue to commit themselves to the cause of Black life and liberation. Now, more than ever, we commit this collective to be a vehicle for encouraging critical reflection on the issues, processes, intrinsic qualities, and interconnections that shape Black lives and geographies on local, national, continental, and international scales. The legacies of colonialism and imperialism have long contributed to exploitation of African descendants and the structural and social properties of anti-Black racism in Brazil. We must, therefore, devote ourselves to struggling against, and creating alternatives to, these destructive inheritances.

In solidarity,

The Black Geographies, Geographic Perspectives on Women, Latin America, Latinx Geographies, and Sexuality and Space Specialty Groups
American Association of Geographers

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Como colectivo comprometido con centrar la negritud y como gente global de consciencia, convocamos a la solidaridad con el Movimiento Negro y el pueblo brasileño tras los asesinatos de la Representante del Consejo Municipal de Río de Janeiro, Marielle Franco, y su chofer, Anderson Pedro Gomes, la noche del 14 de marzo del presente año. La Representante Franco regresaba de un evento celebrando el empoderamiento de la mujer negra cuando un automóvil  se le acercó y personas desconocidas dispararon trece veces, matándola a ella y a su chofer. Noticieros locales reportaron que las municiones utilizadas en el asesinato de ambos fueron compradas en 2006 por la Policía Federal.

Marielle Franco era una activista-política radical, lesbiana y Negra, quien hablaba en representación de los pobres de las favelas de Río de Janeiro. Era una madre, miembro del Partido Socialismo y Libertad (PSOL), activista de los derechos de la mujer y LGBTQ y conocida por su trabajo social en las favelas. Desde hace años, denunciaba abiertamente la brutalidad policiaca que es demasiado común en contra de la población marginalizada de la ciudad. Nacida y crecida en el complejo de favelas de Maré, su visión progresista le ganó los votos para que fuera elegida como miembro del Consejo Municipal en 2016. Era la única mujer negra representante en un Consejo de 51 miembros.

Algunos días antes de su asesinato, Franco fue nombrada como relatora de una comisión responsable de investigar la intervención militar reciente decretada por el presidente Michel Temer. La intervención fue un intento de disminuir el aumento de la violencia. Sin embargo, esta sirve para aterrorizar a los residentes pobres, a través de tácticas como la invasión de casas en las favelas. Uno de los últimos comunicados de la representante en los medios sociales indicaba que la muerte de un joven negro, Matheus Melo, era el resultado de la agresión policiaca durante las redadas de las favelas.

Entendemos estos asesinatos como parte de un fenómeno global de anti-negritud, manifestado a través de la violencia cotidiana contra los pueblos negros, la represión de voces políticas negras, el desplazamiento de tierras negras, la explotación del trabajo negro, la ocultación de culturas y historias negras, la violencia de género y sexo contra mujeres, queers y personas trans. Queremos dejar claro que no hay ninguna atrocidad que pueda silenciarnos o parar nuestras luchas por la libertad negra.

Escribimos en solidaridad con las miles de personas quienes tomaron las calles en protesta en más de 20 ciudades en Brasil, tanto como innumerables organizaciones negras, queer, y feministas que continúan comprometiéndose con la causa de la vida y liberación negra. Ahora, más que nunca, nos comprometemos como colectivo como vehículo para facilitar la reflexión crítica sobre los asuntos, procesos, calidades y nexos que están creando vidas y geografías negras en escalas locales, nacionales, continentales y globales. El legado del colonialismo e imperialismo han contribuido a la explotación de descendientes de África y a un racismo anti-negro en Brasil. Tenemos que dedicarnos a luchar en contra de, y crear alternativas a, esta herencia destructiva.

En solidaridad,

The Black Geographies, Geographic Perspectives on Women, Latin America, Latinx Geographies, and Sexuality and Space Specialty Groups
American Association of Geographers

 

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